CANARANA - O pequi dos índios do Xingu, ou Pequi Xingu, como é mais conhecido, foi a estrela nos dias 14 e 15 de novembro, em Canarana. A fruta, que é maior, tem polpa mais generosa e sabor mais suave que o pequi encontrado nas demais regiões do Brasil. Ela foi o tema do Dia de Campo e da Festa do Pequi, eventos que reuniram mais de 600 pessoas, entre participantes e organizadores.
Organizada por entidades, com apoio do poder público, foram preparados durante a festa, mais de cerca de 300 quilos de alimento para o almoço, além de três mil caroços de pequi. Toda a renda é destinada a trabalhos sociais das instituições organizadoras. O proprietário da fazenda Água Limpa, Edemo Corrêa, levou parte de seus produtos, como o pequi em natura, em conserva, embalado a vácuo e até mudas da planta para a festa.
Ouro do Cerrado
No Dia de Campo sobre a Cultura do Pequi, realizado no sábado, dia 14, na fazenda, mais de 90 produtores de diversas cidades do estado assistiram às palestras sobre a viabilidade e o potencial de comercialização da fruta. Eny Duboc, pesquisadora da Embrapa Cerrados, afirma que o comércio do pequi e de seus sub-produtos é muito maior do que se imagina, mas ainda não existem dados oficiais que quantifiquem esse volume.
Prova do grande potencial comercial da fruta é a experiência do produtor Edemo Corrêa. Ele veio de Lins-SP para produzir arroz e criar gado em Mato Grosso, mas, depois de morar um ano no Canadá, em 1994, se deu conta da riqueza que existe na região do Cerrado. “Nós somos muito ricos em diversidade de frutas e não estamos aproveitando isso”.
Toda a produção de Edemo já tem comprador. A fruta é usada na produção de sorvetes, massas e conservas. Além do pequi, ele cultiva baru, murici, buriti, uaraticum e mangaba.
O gado também continua na propriedade de 90 hectares do produtor, em um consórcio que beneficia tanto a criação dos animais quanto a produção de frutas. “Eu mantenho o gado no meu pequizal. O gado não come a folha do pequi adulto, só quando ele é novo. Com o espaçamento correto, as folhas do pequi mantêm a área mais úmida e o capim está sempre novo para o gado”.
Demanda Em suas andanças e pesquisas, Edemo constatou que há uma demanda não atendida de 70% de pequi no país e uma falta de disponibilidade da fruta ao longo do ano. Por isso, ele está utilizando a embalagem a vácuo para comercializar na entressafra. “Meu sonho é que todos os mercados brasileiros tenham pequi, em qualquer época do ano”.
A propriedade de Edemo é equipada com máquinas que tiram a polpa e a massa da fruta. “O pequi é uma cultura perene, você não tem que replantar todo ano. Para áreas pequenas como a minha, o pequi é economicamente viável. Um pé de pequi adulto dá 10 caixas. Cada caixa eu vendo a R$ 20. Mas, se eu vendê-lo já embalado, ele me rende o triplo”.
Dicas para o cultivo
O caminho para a produção comercial do pequi é abandonar o extrativismo e investir no melhoramento da planta. Eny Duboc, pesquisadora da Embrapa Cerrados, explica que no extrativismo as melhores frutas das melhores plantas são tiradas para a venda, quando o correto é usá-las para o plantio.
Além de investir na plantação e no melhoramento da planta, a pesquisadora recomenda o plantio do pequi associado a outras culturas, já que a monocultura facilita a incidência de pragas. “Quando cultivamos uma planta que é nativa da região, devemos ter mais cuidado, pois as doenças da planta também são nativas dali. Nós recomendamos um sistema agroflorestal, com diversidade de árvores em uma região”.
Iane Thé, técnica do setor de agronegócios do Sebrae-MT, diz considerar a cidade de Canarana como modelo para a cultura em outros locais do estado. “Aqui nós vemos um exemplo na questão da produção e da articulação de parceiros”. (Da Redação – Inf. de Fernanda Beilei – colaboradora da Campanha YIkatu Xingu).
CANARANA - O pequi dos índios do Xingu, ou Pequi Xingu, como é mais conhecido, foi a estrela nos dias 14 e 15 de novembro, em Canarana. A fruta, que é maior, tem polpa mais generosa e sabor mais suave que o pequi encontrado nas demais regiões do Brasil. Ela foi o tema do Dia de Campo e da Festa do Pequi, eventos que reuniram mais de 600 pessoas, entre participantes e organizadores.
Organizada por entidades, com apoio do poder público, foram preparados durante a festa, mais de cerca de 300 quilos de alimento para o almoço, além de três mil caroços de pequi. Toda a renda é destinada a trabalhos sociais das instituições organizadoras. O proprietário da fazenda Água Limpa, Edemo Corrêa, levou parte de seus produtos, como o pequi em natura, em conserva, embalado a vácuo e até mudas da planta para a festa.
Ouro do Cerrado
No Dia de Campo sobre a Cultura do Pequi, realizado no sábado, dia 14, na fazenda, mais de 90 produtores de diversas cidades do estado assistiram às palestras sobre a viabilidade e o potencial de comercialização da fruta. Eny Duboc, pesquisadora da Embrapa Cerrados, afirma que o comércio do pequi e de seus sub-produtos é muito maior do que se imagina, mas ainda não existem dados oficiais que quantifiquem esse volume.
Prova do grande potencial comercial da fruta é a experiência do produtor Edemo Corrêa. Ele veio de Lins-SP para produzir arroz e criar gado em Mato Grosso, mas, depois de morar um ano no Canadá, em 1994, se deu conta da riqueza que existe na região do Cerrado. “Nós somos muito ricos em diversidade de frutas e não estamos aproveitando isso”.
Toda a produção de Edemo já tem comprador. A fruta é usada na produção de sorvetes, massas e conservas. Além do pequi, ele cultiva baru, murici, buriti, uaraticum e mangaba.
O gado também continua na propriedade de 90 hectares do produtor, em um consórcio que beneficia tanto a criação dos animais quanto a produção de frutas. “Eu mantenho o gado no meu pequizal. O gado não come a folha do pequi adulto, só quando ele é novo. Com o espaçamento correto, as folhas do pequi mantêm a área mais úmida e o capim está sempre novo para o gado”.
Demanda Em suas andanças e pesquisas, Edemo constatou que há uma demanda não atendida de 70% de pequi no país e uma falta de disponibilidade da fruta ao longo do ano. Por isso, ele está utilizando a embalagem a vácuo para comercializar na entressafra. “Meu sonho é que todos os mercados brasileiros tenham pequi, em qualquer época do ano”.
A propriedade de Edemo é equipada com máquinas que tiram a polpa e a massa da fruta. “O pequi é uma cultura perene, você não tem que replantar todo ano. Para áreas pequenas como a minha, o pequi é economicamente viável. Um pé de pequi adulto dá 10 caixas. Cada caixa eu vendo a R$ 20. Mas, se eu vendê-lo já embalado, ele me rende o triplo”.
Dicas para o cultivo
O caminho para a produção comercial do pequi é abandonar o extrativismo e investir no melhoramento da planta. Eny Duboc, pesquisadora da Embrapa Cerrados, explica que no extrativismo as melhores frutas das melhores plantas são tiradas para a venda, quando o correto é usá-las para o plantio.
Além de investir na plantação e no melhoramento da planta, a pesquisadora recomenda o plantio do pequi associado a outras culturas, já que a monocultura facilita a incidência de pragas. “Quando cultivamos uma planta que é nativa da região, devemos ter mais cuidado, pois as doenças da planta também são nativas dali. Nós recomendamos um sistema agroflorestal, com diversidade de árvores em uma região”.
Iane Thé, técnica do setor de agronegócios do Sebrae-MT, diz considerar a cidade de Canarana como modelo para a cultura em outros locais do estado. “Aqui nós vemos um exemplo na questão da produção e da articulação de parceiros”. (Da Redação – Inf. de Fernanda Beilei – colaboradora da Campanha YIkatu Xingu).