Mesmo com toda peleja, esperança e expectativa por parte do prefeito municipal de Nova Xavantina Gercino Caetano Rosa, junto com o suplente de deputado federal Eduardo Moura que auxilia na logística para a implantação das Usinas e cerca de 20 mil habitantes, não foram o suficiente para uma usina do Grupo Cluster Bio Energia ser instalada em Nova Xavantina.
O empreendimento, tido como o maior da história do Vale do Araguaia, prevê a construção de usina em 2012 em Barra do Garças; a segunda em 2014, que seria em Nova Xavantina, deverá ser implantada no distrito de Indianópolis, conhecido como Pindaíba, no município de Barra do Garças, e a terceira em 2016, em Água Boa.
Nova Xavantina não conseguiu entrar no grupo das cidades beneficiadas pelo megaprojeto da Cluster Bioenergia que está chegando ao Araguaia, com a previsão de instalar três usinas até 2016 e a perspectiva de gerar 12 mil empregos, além de impactar na construção de 4 mil casas.
Havia uma perspectiva da população de Nova Xavantina de que uma das três unidades prometidas fosse instalada no município, todavia o entrave ocorreu devido o município não ter uma área com raio de 30 km preparados para a produção de cana.
O engenheiro agrônomo Endrigo Dalcin explicou que, na demarcação de limites dos municípios, a divisa de Nova Xavantina foi reduzida até o córrego Zacarias, consequentemente diminiu a área de cultivo do município. “Da fazenda Viena pra lá, onde estão as áreas mais aproveitáveis, já pertence ao município de Barra do Garças, por isso a usina não veio para cá”, disse.
Dalcin explicou também que na área encontrada no lado do setor Nova Brasília, em Nova Xavantina, o raio de atuação atinge uma área indígena. “Infelizmente ficamos de fora. A única coisa que eles querem agora é que Nova Xavantina ceda um lugar para a colônia. Eu acho inviável, uma vez que habitação, segurança, escola e o social ficarão onerados para o município. Eu acho que o certo seria eles colocarem essa colônia no Pindaíba. Tudo bem que tem seus benefícios, mas acredito que o ônus é maior do que o bônus”, sintetiza.
O presidente da Câmara, Manoel José da Silva, informou que o grupo quer fazer de Nova Xavantina uma pensão de Barra do Garças. “Eles querem que a gente hospede funcionários de Barra do Garças. Se não tiver uma indústria em Nova Xavantina, não pode aumentar a população. Caso isso aconteça, Nova Xavantina terá que criar mais casas, escolas, hospitais, creches, o que acarretaria mais problemas para o município. Vamos ficar com o ônus e o bônus vai para Barra do Garças”, disse o vereador.
Para o suplente de deputado federal Eduardo Moura, o poder executivo e legislativo, devia fazer uma audiência pública para debater com a população a respeito da criação ou não da colônia de funcionários em Nova Xavantina.
Moura disse que, se a cidade for beneficiada com novas residências construídas, o município terá um aumento do numero de empregos, uma vez que a Usina próxima ao Rio Pindaíba empregará pessoas de Nova Xavantina. “A cidade ainda terá o beneficio indireto do movimento da Usina com ralação a itens de menor valor que poderão ser adquiridos em Nova Xavantina. Claro que seria melhor ter a Usina, mas o benefício será de todos, inclusive com o plantio de cana em áreas hoje degradadas e de baixa produtividade. Não se esqueça que qualquer lavoura traz um movimento para a cidade muito maior que a pecuária”, finaliza.
O prefeito Gercino Caetano Rosa ainda não decidiu se vai doar o terreno e construir as casas, mas afirma que logo, estará reunindo com membros da sociedade para decidir para depois dar um parecer sobre o assunto.
O megaprojeto da Cluster tem a chancela do empresário João Carlos Meireles, primo do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, com o intuito de instalar um conglomerado agro-energético industrial projetado para a produção de 1,1 bilhão de litros de etanol/ano e geração de 1.200 GWh/ano de energia elétrica, investimento da ordem de R$ 2,8 bilhões. A Cluster pretende produzir energia elétrica do bagaço da cana-de-açúcar e fabricar etanol e suplemento para o gado com os subprodutos da cana.
As usinas a serem instaladas, de acordo com o projeto, estão situadas uma na cidade de Água Boa e duas em Barra do Garças: uma na Fazenda São Carlos, a 40 km de Barra do Garças, e a outra logo passando o Rio Pindaíba, na estrada em frente ao armazém da Fazenda Brasil, antiga Casemat.